Nada melhor como um piquenique para acolher as crianças na volta às aulas. A primeira semana de aula desse segundo semestre foi muito especial, pois novos colegas chegaram na escola para fazer parte desta mandála e todos estão se adaptando para poder recebê-los de uma forma amorosa e compassiva. Pois muitos choros surgiram, saudade da mãe, estranhamento deste novo ambiente diferente da casa. Mas como a adaptação foi previamente combinada com os pais, tudo ocorreu muito bem.
Entre as brincadeiras, que acompanham as crianças todo o tempo, fizemos muitas atividades interessantes. Pintamos com tinta que nós mesmos preparamos com cola e anilina colorida, experimentamos misturar as cores, surgindo novos tons. Na culinária fizemos juntos um bolo de banana, que vai a banana e a casca toda junta na massa, passando por um liquidificador. Até o Arthur, que não gosta muito de fruta comeu o bolo, bem feliz. Fizemos passeios pelo Cebb, contemplando a paisagem, ouvindo os pássaros. Sentamos debaixo das árvores para sentir a tranqüilidade da natureza. Fomos até a horta e semeamos beterraba. As crianças ficaram maravilhadas com a semente da beterraba, ela é muito bonita com uma textura diferente. Colhemos e degustamos bergamotas, oferecendo as cascas para as minhocas na composteira. Colhemos abacates também e os enrolamos em jornais para amadurecerem. Ouvimos histórias, dançamos. E antes da prece, ficamos quietinhos para “ouvir as formigas”, assim que começa a meditação das crianças...
Numa das tardes foi muito precioso um momento que compartilhamos juntos: depois de brincarmos de esconde-esconde, ficamos debaixo da coberta e o Arion pediu para contar uma história, então eu contei a primeira história que surgiu na minha mente, com algumas adaptações:
“Era uma vez um menino chamado Buda, ele era um príncipe e vivia num palácio, juntamente com seus pais, o rei e a rainha. Ele nunca tinha saído de lá. Um dia ele quis saber como era o mundo lá fora do palácio.
Lá fora, ele encontrou muitas coisas diferentes que não havia dentro do palácio. Encontrou a Tristeza que chorava muito, ela estava sempre triste – neste momento perguntei se as crianças já haviam se sentidos tristes ou se já haviam chorado alguma vez, e todos responderam que sim. Existe a tristeza.
Caminhando mais um pouco, Buda encontrou uma árvore muito grande chamada Figueira, assim como a que temos aqui no Cebb. Então o menino Buda sentou debaixo dela, de lótus, respirou devagar e ficou bem quietinho, até que encontrou a Felicidade, que estava muito alegre e dava gargalhadas – neste momento brincamos de soltar gargalhadas e lembramos da verdadeira felicidade.”
Dessa forma simples as crianças puderam perceber que o sofrimento existe, existe a tristeza. Que choramos, mas que também podemos sorrir e dar gargalhadas de felicidade. Pois há um caminho, o Caminho do Meio.

1 comentários:
Que lindo, Guada!!
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